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Violência no Namoro: “Se é ciumento é porque me ama! Será?”

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O que é?

A violência no namoro é considerado um ato que pode ser pontual, ou contínuo, cometida por um, ou ambos os membros envolvidos numa relação afetiva e que tem como principal objetivo dominar e controlar, existindo uma desigualdade de poder na relação. A violência no namoro é um crime público, estando deste 2013, ao abrigo do código penal no artigo 152º, relativo ao crime de violência doméstica, tornando mais fácil a sua penalização, uma vez que qualquer cidadão pode denunciar o mesmo às autoridades competentes.

A violência neste tipo de relações é geralmente associada ao facto de o homem ser o agressor e a mulher a vítima, contudo, vários estudos têm demonstrado que a violência nestas situações engloba trocas mútuas de agressões, comprovando que as mulheres também são violentas.

Tipos de violência?

Existem diferentes tipos de violência no namoro:

Violência física – empurrar, agarrar, bater (e.g. bofetadas, pontapés, entre outros), ameaçar usar a força física, atirar objetos, etc.,

Violência Sexual – Obrigar a praticar atos sexuais, forçar carícias, etc.;

Violência Verbal – intimidar, ameaçar, humilhar verbalmente, tecer comentários depreciativos, etc.;

Violência psicológica – controlar a forma de vestir, as rotinas, ligar e enviar mensagens constantemente como forma de controlo, ameaçar terminar com a relação, etc.;

Violência Social –envergonhar ou humilhar em público, proibir a convivência com os amigos e família, etc.;

Violência Digital — entrar nas contas de email, facebook, whatshapp, entre outras, controlar as nossas redes sociais, etc.,

Fatores de risco?

Há vários fatores de risco associados a este tipo de violência, nomeadamente, baixa autoestima, o estatuto e duração da relação, idade dos jovens, experiências negativas de relacionamentos passados, baixas competências de comunicação interpessoal, ausência de práticas educativas adequadas, traços de personalidade, isolamento social e a falta de competências de resolução de problemas. A violência no namoro em si mesma é também um fator de risco para o desenvolvimento de violência na idade adulta (e.g. violência doméstica).

Mitos sobre a violência no namoro!

Existem vários MITOS impregnados na nossa sociedade e aceites pelos jovens, que LEGITIMAM e BANALIZAM o uso da violência no namoro, como por exemploUma bofetada ou um insulto não são violência – O insulto é um ato de violência que diz respeito à violência verbal e que trás consequências negativas;Há raparigas que provocam os rapazes, não admira que eles se descontrolem – É essencial respeitar-​se mutuamente, e a violência não é justificação quando não concordamos com alguma opinião/​comportamento que o outro tenha; “Ele/​a só é violento/​a quando bebe álcool a mais ou consome drogas” – Os consumos podem facilitar a violência, mas apenas em quem já manifesta tendência para ser violento, contudo são uma forma de desculpabilizar o agressor; “Quanto mais me bates mais eu gosto de ti – As situações de violência nunca devem ser entendidas como provas de amor, preocupação ou atenção e É CIUMENTO/​A PORQUE ME AMA, os ciúmes são na maioria das vezes vistos como um ato de amor, contudo não podem ser aceites como uma forma de controlar o outro, como por exemplo, impedir que nos relacionemos com outras pessoas, criando uma sensação de dependência. E não o ciúme apesar de ser visto como um ato de amor, é na realidade um ato de controlo que não deve servir como justificação para qualquer comportamento violento.

O que fazer?

Nestas situações devemos assim que possível pedir ajuda. Pode ser um passo difícil, uma vez que a adolescência é a fase em que queremos ser independentes e resolver os problemas sozinhos. Porém é importante falar com alguém em quem se confie e nos possa ajudar, por exemplo os nossos pais, irmãos, ou outros familiares, amigos, professores, ou psicólogo. Falar com outra pessoa pode nos ajudar a ter outra visão sobre a situação e a encontrar soluções para os problemas. Atualmente existem várias redes de apoio às quais também se pode recorrer e que proporcionam apoio gratuito, como é o caso da Associação de Apoio à Vítima.

E se tiver que ir ao psicólogo?

O psicólogo é o profissional especialista em ajudar os outros relativamente aos seus, pensamentos, sentimentos e comportamentos. Não são apenas para malucos, são profissionais que nos ajudam a resolver os nossos problemas, a descobrir o que sentimos e a lidar com as preocupações. O psicólogo é um “expert” no que toca a escutar os outros, pois é capaz de ouvir, compreender o que a outra pessoa está a sentir e ajudar-​nos a refletir sobre isso. Ir a um psicólogo nestes casos, também poderá ser uma boa solução para ultrapassar esta situação, pois em conjunto poderemos encontrar uma forma de resolver o problema em questão, refletir sobre o que sentimos e sobre o que será o melhor para nós próprios.

Independentemente da forma como pedimos ajuda o essencial é fazê-​lo, pois a violência não deve ser um ato aceitável, qualquer que seja o motivo!

Júlia Silva – Psicóloga da Justiça e do Comportamento Desviante

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