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Será que o meu filho é viciado na internet e nos videojogos?

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Nos dias que correm, a utilização dos smartphones, das redes sociais e da internet é cada vez mais um “must havedo quotidiano de cada um. Facebook, Snapchat, Instagram, Twitter, Messenger, Whatsapp, Email, Pinterest, Jogos Online, entre outros.

Mas afinal quais são as causas?

Avanço tecnológico;

Massificação dos aparelhos tecnológicos (smartphones, tablets, computadores, …);

Acessibilidade generalizada à internet (wifi/​dados móveis) em qualquer lugar e a qualquer hora;

Aumento exponencial na utilização da internet pelas crianças e adolescentes portugueses (Pontes & Patrão, 2014):

91,9% dos jovens acedem diariamente à internet (sobretudo às redes sociais);

28% crianças (912 anos) e 60% adolescentes (1316 anos) acedem à internet pelo smartphone;

As causas são variadas desde o tipo de uso à acessibilidade que é proporcionada às crianças e jovens de hoje em dia.

No que diz respeito à internet e aos videojogos, a dependência é caracterizada pelo uso excessivo da internet e/​ou dos videojogos, em que a pessoa tem elevada dificuldade em controlar-​se interferindo significativamente nas várias áreas da sua vida prejudicando o seu funcionamento. Desta forma, apresentam (Young, 1998):

1. Preocupação excessiva com a internet/​jogo;

2. Necessidade de aumentar o tempo conectado (online) para ter a mesma satisfação;

3. Esforços repetidos para diminuir o tempo de uso da internet;

4. Irritabilidade e/​ou depressão;

5. Quando o uso da internet é restringido, demonstra labilidade emocional (internet usada como forma de regulação emocional);

6. Permanecer mais tempo conectado (online) do que o programado;

7. Trabalho/​Estudos e relações sociais em risco pelo uso excessivo;

8. Mentir aos outros a respeito da quantidade de horas online.

Este tipo de comportamento aditivo apresenta uma prevalência mundial (estimada) entre os 4 e os 12% (Yau et al., 2012 cit in Mei, Yau, Chai, Guo & Potenza, 2016). No caso de Portugal, estima-​se uma prevalência de cerca de 73.3% adolescentes portugueses (com idades entre os 12 e os 19 anos) que apresentam alguns sinais de dependência, no entanto, cerca de 13% dos adolescentes portugueses (Pontes, Griffiths & Patrão, 2014) já se encontram em estado de dependência.

Quando pensamos em videojogos, todos recordamos a época em que jogávamos Super Mário e Sonic na consola da Sega (ou outra). No entanto, a oferta de há 20 anos atrás, não é a mesma que hoje em dia, existindo cada vez mais uma enorme variedade de jogos, meios tecnológicos e formas de jogar (online sozinhos ou com amigos e/​ou desconhecidos)

“Um jogo é um sistema no qual os jogadores se envolvem num desafio abstrato, definido por regras, interatividade, feedback e que se traduz num resultado quantificável, que suscita com frequência uma reação emocional.

(Raph Koster, Theory of Fun)

Existem alguns sintomas/​sinais de alerta para os quais devemos estar atentos:

1. Saliência – o jogo/​internet é o mais importante na vida;

2. Modificação do humor (euforia, prazer, alívio da ansiedade);

3. Tolerância – necessidade de aumentar intensidade/​tempo de atividade;

4. Sintomas de abstinência na impossibilidade de jogar/​estar online;

5. Conflito – interpessoal (com pessoas significativas), com outras atividades (escola/​trabalho, vida social, …) e/​ou intrapsíquico (consigo mesmo);

6. Recaída e reinvestimento – retomar comportamentos aditivos após controlo

Porque é que estes comportamentos são mantidos?

Existe uma procura de gratificação/​recompensa que se traduz em experiências emocionais positivas, integração social, manutenção das relações ou criação de novas relações, estatuto pessoal, reconhecimento/​valorização social, diversão e desafio, compensação monetária, informação, entre outros aspetos.

A internet é um meio indireto e facilitador de interação social, verificando-​se uma estratégia de coping desadaptativa de regulação emocional e escape aos problemas reais.

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