![]()
A Perturbação de Hiperatividade com Défice de Atenção (PHDA) é uma perturbação neurodesenvolvimental, tendo sido durante muitos anos considerada erradamente um problema específico e quase exclusivo da infância. Contudo, sabe-se hoje que a PHDA é habitualmente uma condição crónica, surgindo sempre na infância e tendendo a permanecer até à idade adulta na maioria dos casos. De facto, cerca de 60 – 70% das crianças com PHDA continuam a manifestar a perturbação em adultos. De entre estes, cerca de 15% continuam a preencher os critérios da perturbação e cerca de 50%, embora não preenchendo todos os critérios, continuam a apresentar sintomas incapacitantes. Assim sendo, cerca de 4 – 5% da população adulta mundial sofre desta condição.
No entanto, infelizmente a maioria dos casos adultos não estão diagnosticados, quer por falta de sensibilidade para esta problemática no passado (quando essas pessoas ainda eram crianças), quer pelo mito de que a perturbação desaparecia com a idade.
Como se manifesta a PHDA no adulto?
A PHDA caracteriza-se por sintomas de hiperatividade, impulsividade e/ou défice de atenção, traduzindo-se portanto em dificuldades em controlar a atividade motora excessiva, controlar os impulsos e em manter a atenção, respetivamente. A perturbação não implica que estejam presentes as 3 dimensões, podendo alguns casos manifestar apenas ou maioritariamente sintomas de hiperatividade/impulsividade ou de défice de atenção. Embora a PHDA tenda a permanecer até à idade adulta, o modo como se manifesta vai sofrendo alterações ao longo do desenvolvimento. Mais concretamente, à medida que a pessoa cresce, os sintomas tendem a diminuir de intensidade e tendem a modificar-se em função da fase desenvolvimental, conforme descrito de seguida.
A Hiperatividade manifesta-se nos adolescentes e adultos nomeadamente por:
• inquietação/agitação interior (sensação de aceleração interior, não conseguir estar tranquilo) – que vem substituir a agitação motora típica nas crianças e que diminui nos adultos;
• atividade mental intensa (cabeça a “mil à hora”);
• envolvimento simultâneo em múltiplas atividades, que muitas vezes não chegam a concluir;
• tendência para falar excessivamente.
A Impulsividade, por seu lado, manifesta-se nomeadamente por:
• impaciência (dificuldade em esperar), traduzindo-se frequentemente em condução imprudente e intromissão em conversas e atividades;
• ações e decisões repentinas e precipitadas (ex. pedir demissão, terminar relacionamento amoroso, fazer compras exageradas por impulso);
• frequentes oscilações de humor, associadas a reações explosivas súbitas (“pavio curto”);
• tendência para envolvimento em comportamentos de risco (ex. consumo de substâncias psicoativas, delinquência, comportamentos sexuais de risco, …).
O Défice de atenção manifesta-se nomeadamente por:
• dificuldade em manter a concentração, distraindo-se facilmente por estímulos irrelevantes (ex. música, próprios pensamentos);
• dificuldade em prestar atenção aos detalhes, cometendo frequentemente erros por distração;
• esquecimento frequente de compromissos e tarefas;
• desorganização pessoal (ex. perda de objetos, acumulação desorganizada de documentos).
Além das caraterísticas anteriormente referidas, outros sinais de alerta são: 1. ter dificuldades na gestão do tempo; 2. envolver-se com desagrado ou evitar atividades que exijam um esforço mental constante (ex. projetos); 3. procrastinação – adiamento sucessivo do envolvimento nas tarefas; 4. aborrecimento – sente-se facilmente entediado, procurando novos estímulos, com consequentes prejuízos na estabilidade das relações pessoais e profissionais.
Naturalmente, os sintomas acima referidos afetam negativamente a vida da pessoa, com sérias repercussões a diversos níveis: académico, profissional, saúde e relacionamentos interpessoais. Ou seja, sem intervenção adequada, há tendência para um agravamento do impacto da PHDA no funcionamento da pessoa ao longo do desenvolvimento, com a acumulação de sucessivas dificuldades e “fracassos”, provocando elevado sofrimento psicológico e baixa autoestima nos jovens e adultos. De facto, a maioria dos casos (70 – 85%) apresentam simultaneamente outras perturbações psicológicas, nomeadamente depressão, ansiedade e perturbações da personalidade.
Deste modo, é fundamental a avaliação e a intervenção adequadas com o intuito de atenuar os sintomas e ajudar a pessoa a lidar adaptativamente com os aspetos incapacitantes da perturbação. Neste sentido, o Instituto do Desenvolvimento criou a Consulta de PHDA no Adulto, um serviço especializado orientado por uma equipa multidisciplinar (psicologia, neuropsicologia, psiquiatria, …) competente no diagnóstico e intervenção no adulto com PHDA. A intervenção possui essencialmente duas componentes: farmacológica (medicação) e psicossocial. Esta última pretende desenvolver competências e estratégias para lidar adequadamente com a perturbação, nomeadamente estratégias de organização, gestão de tempo, regulação emocional e atenção. Paralelamente, o Instituto do Desenvolvimento oferece um conjunto de serviços complementares que poderão ser igualmente benéficos, como Mindfulness, Watsu e Hidroterapia.
Caso tenha identificado alguns dos sintomas referidos, deve procurar um serviço profissional especializado no sentido de realizar o despiste e, se necessário, receber acompanhamento adequado. O Instituto do Desenvolvimento está aqui para o ajudar, por um desenvolvimento em forma de sorriso!
Ana Freitas
Psicóloga Clínica do Instituto do Desenvolvimento


















