![]()
O EMDR — eye movement desensitization and reprocessing, trata-se de um método terapêutico que permite a dessensibilização e o reprocessamento de memórias cristalizadas pela estimulação bilateral do cérebro, através do movimento ocular (podendo ser alternado com o uso de estímulos sonoros e/ou tácteis). Este mecanismo é semelhante aquilo que acontece durante a fase REM do sono, e tem vindo a ser utlizado no tratamento de várias patologias, nomeadamente stress-pós traumático, problemas de ansiedade e fobias, com resultados positivos a curto e longo prazo.
O EMDR é uma abordagem integrativa, uma vez que permiti não só a estimulação bilateral do cérebro, como também o reprocessamento de informação emocional, cognitiva, e sensorial, possibilitando ao cérebro de forma intrínseca gerar novas conexões, de forma mais adaptativa, e com menor nível de sofrimento quando o acontecimento e /ou experiência anterior traumática é evocado.
Como pode o EMDR ajudar?
As nossas experiências emocionais vão ao longo do nosso desenvolvimento determinar parte daquilo que somos. Todos nós, vamos recebendo e integrando informação dos vários estímulos que recebemos diariamente. Em algum momento, provavelmente muitos de nós já experienciamos acontecimentos de carácter traumático, como por exemplo: a perda de alguém, um acidente, um ataque de pânico, uma situação de humilhação ou mau trato, entre outros. Estes acontecimentos podem ser de tal ordem intensos que despertam fortes sensações físicas e psicológicas, não só no momento a seguir ao acontecimento, como meses ou anos depois. Muitas pessoas, conseguem lidar e integrar essas memórias de forma mais fácil em esquemas adaptativos, outras pessoas terão maior dificuldade, e essas experiências são armazenadas na nossa memória de forma tão desagradável, que causam grande dor ainda no momento actual (mesmo na ausência do estímulo inicial).
De uma forma geral, o que acontece é que parte da informação associado ao episódio traumático pode ser armazenada em esquemas desaptativos, e a partir daí, sempre que surge um estímulo interno ou externo que active a memória do acontecimento original, essa informação emocional e cognitiva relacionada emerge na sua forma original. Uma das razões que pode explicar este processo pode estar relacionada com um desequilíbrio no sistema nervoso, causando alterações nas conexões entre os neurotransmissores que faz com que a informação se mantenha cristalizada e não seja processada de forma adaptativa.
E é aqui que o recurso ao EMDR pode ser uma mais-valia, uma vez que permite dessensibilizar e reprocessar a informação traumática cristalizada, dando espaço ao cérebro para gerar e integrar novas conexões e a apaziguar parte do sofrimento provocado por essa memória inicialmente traumática.


















