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Tudo começou pela altura de Natal, sentido fortes dores de costas e a barriga a inchar pensamos que era uma gripe.
No início do ano fomos ao hospital e após alguns exames ficou logo internada, dias depois os médicos resolveram operar, mas abriram e fecharam a barriga pois acharam que o estado dela já estava num estado muito avançado e nada havia a fazer.
Foi-nos comunicado dias depois que a doença da minha mãe era um cancro nos ovários e já estava muito espalhado, tinha muitas metástases, disseram que a iam mandar para casa pois não podiam fazer mais nada por ela só tinha 3 meses de vida, disseram-me para lhe dar a melhor qualidade de vida durante o pouco tempo que lhe restava .
Não quis acreditar no que estava a ouvir e interroguei o médico se não a iam enviar para o IPO para fazer tratamentos, ao qual ele me respondeu que não valia a pena pois no caso dela não havia nada a fazer.
Não estando convencida pois minha mãe ainda era muito nova tinha 61 anos e contra a vontade dele foi diretamente ao IPO e falei com uma equipa médica que ao saber do problema da minha mãe resolveram tratar dela (foram INCRIVEIS).
Fizeram novos exames, e resolveram começar imediatamente com a quimioterapia.
Levava a minha mãe à segunda feira de manhã e ia buscá-la no dia a seguir, ela tinha muita vontade de viver e sempre que chegava aos tratamentos tentava alegrar toda a gente, o cabelo longo começou a cair, foi um choque para mim quando ela rapou o cabelo, mas ela nunca desanimou.
Fez quimioterapia durante 4 meses e no final desses 4 meses foi operada onde lhe tiraram os ovários e o útero, tudo correu muito bem.
Dias depois teve alta
Passado pouco tempo voltou ao IPO para fazer novos exames, dias depois ligaram do IPO a dizem que a minha mãe estava salva, conseguiram retirar todo o tumor e com a quimioterapia conseguiram queimar as metástases.
Foi dos dias mais felizes da minha vida, consegui salvar a minha mãe, os médicos do hospital de Penafiel estavam enganados.
De tempos em tempos ela tinha consultas de rotina e fazia novos exames e estava tudo bem e assim se manteve durante cerca de dois anos.
Passado esses dois anos em finais de novembro ela começou a sentir dores terríveis na barriga e a dizer que o sabor que vinha á boca era de fezes , levei-a imediatamente para IPO fizeram exames de urgência e decidiram operar ainda no mesmo dia , falei com o médico que a operou ao qual ele me disse que para lhe salvar a vida tiveram que lhe tirar o intestino fora pois o cancro voltou em força e o intestino já estava todo minado .
Ela ficou a fazer as fezes para um saco, uma coisa terrível que ela nunca aceitou, ela perdeu a vontade de viver, a partir dai o sofrimento foi brutal, muitas idas e vindas ao IPO mas de nada valeu, muitos internamentos foi um ano de sofrimento.
15 dias antes de ela morrer mandaram-na para casa , mas o estado dela estava a piorar de dia para dia não sabíamos o que fazer entretanto apanhou uma infeção na garganta , ai resolvemos leva-la novamente para o IPO para ter um fim digno e sem dores , foi para os cuidados paliativos , mas ao fim de uma semana de internamento numa das noites que passei com ela apercebi-me que ela não iria passar mais uma noite e resolvi falar com o médico para a mandar para casa para morrer pois foi sempre a vontade dela .
Chegou a casa pela hora de almoço, tinha muitas dores de hora a hora tínhamos que lhe injetar morfina, por volta das 5 da tarde ela deixou de ver, estava a chegar ao fim.
Por volta da meia noite deu o último suspiro.
A minha mãe morreu no dia 12 de novembro de 2004
BEM HAJA AOS MÉDICOS DO IPO.