ID– Blog

Blog do Instituto do Desenvolvimento

  • Início
    Início Aqui é onde pode encontrar todos os artigos em todo o site.
  • Categorias
    Categorias Mostra uma lista de categorias deste blogue.
  • Etiquetas
    Etiquetas Mostra uma lista de etiquetas que tem sido utilizados no blogue.
  • Membros
    Membros Procure o seu Autor favorito deste site.
  • Equipas do Blog
    Equipas do Blog Encontre a sua equipa favorita aqui.
  • Entrar
    Entrar Formulário de Entrada

Medos na Infância

Publicado por em em Uncategorized
  • Tamanho da fonte: Maior Menor
  • Acessos: 946
  • 0 Comentários
  • Imprimir

b2ap3_thumbnail_medos.jpg

Quem nunca sentiu as mãos a suar, o coração a bater depressa, a boca seca e um nó na garganta?

Mesmo o mais corajoso de nós já sentiu medo nalguma altura da sua vida…

O medo é uma reação emocional mais ou menos intensa perante um perigo específico real ou imaginário, que pode assumir várias manifestações, nomeadamente reações ao nível comportamental (gritar, fugir) e biológico intenso (aceleração da pulsação) ou externo (tremer, rosto assustado).

O medo é um sentimento universal “que faz parte de todos nós e, em particular, faz parte do crescimento das crianças”. Transmite-​nos a sensação de que corremos perigo e é geralmente acompanhado de sintomas físicos, “tais como aceleração cardíaca, vermelhidão e angústia”. Servem muitas vezes para “nos alertar do perigo e como tal para nos proteger”, esta função protetora e adaptativa é especialmente importante nas crianças.

É este medo que faz com que as crianças reajam a estranhos, não se aproximem de certos animais entendidos como perigosos, não se afastem dos pais em locais desconhecidos, evitem entrar em sítios escuros ou sintam a necessidade de recorrer a um adulto para o fazer. Numa situação “normal”, quando uma criança se apercebe, por exemplo, que afinal aquele barulho violento não se trata de algo ameaçador, o medo “deverá de imediato e naturalmente recuar”.

As investigações, de uma forma geral, sugerem uma redução do número de medos com a idade (Fonseca 1993; Kendall et al., 1991; Ollendick, Grills, Alexander 2001; Sweeney & Pine, 2004). As crianças mais novas apresentam um número de medos sub-​clínicos significativo; as mais velhas bem como os adolescentes tendem a referir menos medos.

A emoção medo pode ser observada por meio das respostas motoras (posturas, gestos) e das respostas neurovegetativas (taquicardia, suor). Como manifestações do medo percetíveis pelas outras pessoas, tem-​se o afastamento social, a apatia, a tristeza ou, mesmo, a dificuldade para concentrar-​se no trabalho ou em brincadeiras.

Medos considerados normais de acordo com a idade da criança/​adolescente

06 meses

Perda de apoio; Quedas; Barulhos intensos

712 meses

Estranhos; Alturas; Objetos súbitos e inesperados

1 ano

Estranhos; Separação dos pais; Casa de banho (higiene, feridas)

2 anos

Separação dos pais; Barulhos estranhos; Animais; Escuro; Mudança ambiental; Objetos grandes

3 anos

Separação dos pais; Barulhos estranhos; Escuro; Máscaras

45 anos

Separação dos pais; Animais; Escuro; Lesões corporais; Pessoas más

6 anos

Seres sobrenaturais (ex: fantasmas, bruxas); Lesões corporais; Escuro; Estar sozinho ou dormir sozinho; Trovoada

78 anos

Seres sobrenaturais; Escuro; Estar sozinho; Ladrões; Acontecimentos divulgados pelos “media” (notícias de morte, raptos…); Lesões corporais

912 anos

Escuro; Desempenho escolar; Lesões corporais; Aparência física; Trovoada; Morte; Escur

Existem medos que poderão traduzir a presença de patologia, sendo importante identificá-​los. É importante ter presente que quanto mais marcada a interferência do medo na vida da criança ou adolescente e o grau de ansiedade associado, mais provável será a sua duração ao longo do tempo, com possível repercussão na vida adulta.

Os Medos e a Família/​Escola

De acordo com a literatura, muitas crianças desenvolvem medos quando inseridas em contextos (familiares ou educacionais), onde comportamentos e crenças ansiosas são induzidos, reforçados ou modelados. De facto os pais e educadores podem contribuir fortemente para a construção de medos na criança, nomeadamente, através do diálogo e estilos parentais adotados. Um exemplo disso é a utilização de frases condicionais: “Portas-​te mal, vais para a escola” ou, “fazes uma birra, chamo a polícia”.

Saber lidar com o medo

A abordagem ao medo tem como objetivo principal ajudar a criança a encontrar formas positivas para superá-​lo. Esta abordagem passa pela tranquilização firme e segura; pela educação e explicação acerca do medo; e por estratégias para o desconstruir, como jogos que incluam o alvo do medo. A educação parental é fundamental e inclui as seguintes atitudes:

— Valorizar adequadamente o medo e a reação da criança/​adolescente;

— Incentivar a formulação de soluções para enfrentar o objeto/​situação temida (exemplo: elaborar uma história engraçada sobre o monstro temido ou na qual a criança consegue superar o seu medo, mostrando-​a como corajosa);

— Não favorecer o evitamento excessivo, mas também não forçar para além da capacidade de adaptação;

— Evitar atitudes intensificadoras do medo, como sejam, a indiferença, a hiperprotecção, a ironia, a humilhação e as expectativas irrealistas;

— Utilizar demonstrações concretas (exemplo: mostrar a uma criança com medo de monstros ou fantasmas que não existe nada debaixo da cama, nem dentro do armário);

— Esclarecimento de dúvidas (exemplo: explicar que existem alguns barulhos que só são percebidos em ambientes silenciosos, como é o caso do som dos ponteiros do relógio e que isso é normal e não é preciso ter medo);

Durante o dia:

— Ajude o seu filho a certificar-​se de que não existem fantasmas nem monstros debaixo da cama nem dentro do armário;

— Ajude-​o a entender os sentimentos descontrolados que ocorreram durante o pesadelo;

— Explique e dê-​lhe informações simples, claras e credíveis para que ele possa entender os acontecimentos da vida familiar que possam estar a perturbá-​lo;

— Evite filmes, programas de televisão e jogos de computador que possam ser violentos e provocar medo, insegurança ou incompreensão.

Na hora de dormir:

— Sente-​se junto dele e explique-​lhe o que o preocupa;

— Aceite os seus receios e a necessidade de se agarrar aos pais;

— Deixe uma luz de presença no quarto;

— Encoraje-​o a usar objetos de conforto (ursinho ou cobertor preferido);

— Conte histórias que ajudam a compreender os medos e sentimentos vivenciados de forma indireta;

— Se ele recorre à cama dos pais, depois de um pesadelo, deve acalmá-​lo e levá-​lo de volta a cama dele, onde lhe deve dar alguns minutos de aconchego e conforto.

Quando procurar ajuda?

É aconselhável procurar ajuda médica, nas seguintes situações:

— Dificuldade em adotar as estratégias propostas;

— Persistência da situação;

— Presença de sintomas perturbadores das funções biológicas, como alimentação e/​ou sono;

— Presença de sintomas invasivos do quotidiano da criança;

— Presença de sintomas causadores de sofrimento intenso.

Em suma, nunca devemos negligenciar o medo de uma criança. A compreensão e a conversa são ótimas ferramentas para o ultrapassar. O mais importante é trazer de volta a merecida alegria à criança!

Ana Lopes – Psicóloga Clínica e da Saúde

Magda Lopes – Psicóloga do Comportamento Desviante e da Justiça

Última modificação em
0
URL Trackback para este artigo

Comentários

  • Sem comentários ainda. Seja o primeiro a comentar

Deixe o seu comentário

Convidado segunda, 24 junho 2019

Rua da Estrebuela, nº 106, 4580–091 PAREDES
geral@​institutododesenvolvimento.​pt
TELFS: 255 401 557 | 967 688 612 | 929 065 841

Declaração de Privacidade

© 2016 — Instituto do DesenvolvimentoJoomla Templates.