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A ansiedade é uma emoção, que pode surgir nas crianças, jovens e adultos, que é normal e adaptativa. Estarmos preocupados, ou ansiosos, faz parte da nossa gestão diária das emoções, ajuda-​nos a lidar com dificuldades, demonstra que nos sentimos responsáveis e motivados perante uma determinada tarefa, por exemplo fazer os trabalhos de casa, estar preocupado antes de um exame e permite-​nos enfrentar situações mais desafiantes.

MAS ENTÃO, QUANDO É QUE NOS DEVEMOS PREOCUPAR COM A ANSIEDADE?

A ansiedade deixa de ser normativa, quando gera um mal-​estar significativo na criança/​jovem, podendo incorrer num conjunto de sintomas que interferem no seu dia-​a-​dia, afectando o desenvolvimento, as relações familiares e com os pares, a aprendizagem, entre outras.

Existem um conjunto de sintomas que poderão afetar a criança/​jovem ao nível do comportamento, do pensamento, das emoções e a nível físico, aos quais os pais poderão estar atentos, mas que deverão sempre ser avaliados por um especialista, nomeadamente: tristeza, medo, alterações de humor, dificuldade em adormecer, náuseas, agitação motora, crises de choro, isolamento, evitamento de novas actividades, diminuição da capacidade de atenção, autocrítica, sensação de que não é capaz, pessimismo, perda de confiança, entre outros.

Podem ser vários os fatores que originam a ansiedade nas crianças/​jovens, existindo uma relação entre factores genéticos, ambientais, familiares e individuais. Entre as causas mais recorrentes que levam ao diagnóstico, considera-​se, o divórcio, mudanças (escola, casa), exigências demasiado elevadas relativamente à escola, lutos, conflitos familiares e nascimento de um irmão.

COMO PODEMOS AJUDAR AS CRIANÇAS/​JOVENS A GERIR A ANSIEDADE?

Em contexto de terapia o psicólogo deverá ajudar a criança/​jovem a alterar os seus pensamentos de forma a controlar a ansiedade. Sabemos que a forma como pensamos, influencia o que sentimos e como agimos. Pensar de forma negativa poderá fazer com que a criança/​jovem se sinta triste, nervoso, ou desconfortável e que consequentemente evite uma determinada situação, ou tarefa. Ajudar a criança a descobrir e a relacionar o que pensa, o que sente e o que faz, e desenvolver estratégias para lidar com a ansiedade, faz parte do processo terapêutico nesta problemática.

Em casa, os pais também poderão ajudar os filhos na gestão emocional, através do apoio contínuo, adoptando uma postura de compreensão e aceitação das emoções que o seu filho está a sentir, encorajando-​o a não desistir! É importante valorizar as suas competências, elogiar e recompensar os esforços, conversar sobre o que incomoda a criança, mas também sobre o que conseguiu alcançar. Desta forma os pais estarão a promover a sensação de autoeficácia e autoconfiança na criança/​jovem, bem como a sua autoestima, auxiliando na gestão das emoções.

Júlia Silva – Psicóloga