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Automutilação: quando a dor física é mais suportável que a dor emocional

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Os comportamentos de automutilação são atos que têm a intenção de magoar fisicamente o próprio corpo, sem intenção suicidária, ou seja, sem que a pessoa tenha o objetivo de pôr termo à sua vida.

Estes comportamentos podem ser muito variados, desde cortes, arranhões, queimaduras, tentativas de enforcamento, bater com a cabeça na parede, agredir-​se com objetos, chicotear-​se, arrancar os próprios cabelos/​pêlos, entre outros.

Segundo estudos científicos, cerca de 70% das pessoas que têm este género de comportamentos optam pelos cortes superficiais na pele como método de dor, e a área do corpo mais afetada é, maioritariamente, os braços.

Cerca de 4% da população adulta reporta um historial de automutilações, isto é, já utilizaram algum destes métodos ao longo da vida. Mas apenas 1% revela um historial severo, ou seja, a utilização destes métodos ocorre de forma continuada no tempo.

Porém, onde se vê uma maior prevalência destes comportamentos é nos adolescentes e nos jovens adultos. Num estudo recente revelou-​se que cerca de 15% dos adolescentes refere ter feito uma automutilação no último ano. A idade mais comum de início destes comportamentos é entre os 13 e 14 anos e são igualmente prováveis entre raparigas e rapazes. Para além disso, a experimentação com comportamentos auto-​mutilatórios pode acontecer de forma solitária (por exemplo, em casa, no quarto) ou em grupo, com colegas ou amigos (por exemplo, na escola).

Estes comportamentos são difíceis de compreender pela generalidade das pessoas, pois o ser humano procura habitualmente fugir da dor física, no seu dia-​a-​dia. Basta pensarmos nos capacetes para andar de mota ou de bicicleta, nos sinais de perigo quando o chão de um shopping está a ser limpo, ou nos sinais de trânsito para os peões poderem circular em segurança numa passadeira. Todos os seres humanos evitam a dor física a todo o custo! Então porque é que certas pessoas procuram ativamente magoar-​se?

Hoje em dia, ainda se procura dar uma resposta a esta questão. Cientistas têm feito inúmeros estudos em torno das automutilações por forma a compreender este fenómeno, mas até hoje os resultados ainda não são totalmente conclusivos. Resumidamente, as causas mais frequentes, encontradas até ao momento, para a utilização das automutilações são (por onde decrescente de prevalência):

1. Para regular as emoções, isto é, para aliviar emoções que são sentidas como demasiado intensas, negativas ou desestruturantes;

2. Para demonstrar raiva contra si mesmo ou para se castigar;

3. Para pedir atenção ou para manipular outras pessoas;

4. Para gerar alguma sensação real ou para desbloquear sentimentos de vazio ou de adormecimento;

5. Para evitar o suicídio;

6. Ou para sentir excitação ou adrenalina.

Cada pessoa pode justificar as suas automutilações com mais do que uma destas causas listadas (ou até com alguma que não tenha sido referida), pois cada caso é um caso. Independentemente da motivação inerente à procura de dor, este sintoma demonstra um sofrimento muito significativo e deve ser alvo de intervenção precoce, ou seja, ao primeiro sinal. Mesmo que por vezes possa parecer apenas uma brincadeira de escola, entre colegas, é algo demasiado perigoso para ser desvalorizado.

Atualmente, ouve-​se muito falar do jogo online Baleia Azul”, no qual os jogadores eram incitados a realizar automutilações (entre outros atos danosos). Infelizmente, este não é o único caso de licitação dos jovens a realizar este género de comportamentos; existem diversas páginas de Internet acerca do assunto, onde se exploram os “melhores métodos” de automutilação, as formas mais eficazes de esconder os cortes, etc. Por isso, é importante a atenção dos pais, educadores e professores para esta temática:

A automutilação é um sintoma grave que não deve ser desvalorizado!

Um simples ato que pode trazer graves consequências!

Assim, para finalizar, deixo aqui alguns tópicos que explicitam as consequências das automutilações repetidas e PORQUE DEVE PARAR DE O FAZER (se for o seu caso):

ü A pessoa está a ensinar ao seu cérebro que as emoções são más e que têm de ser evitadas a todo o custo. As emoções são parte integrante da vida do ser humano, não são inerentemente más ou boas, mas todas elas têm uma característica em comum: passam. Se dermos o devido tempo e permitirmos que a emoção simplesmente esteja, ela acaba por passar;

ü Embora a automutilação possa provocar um alívio momentâneo, ela não gera sentimentos positivos. Antes pelo contrário, gera culpa, raiva, frustração e desilusão. Ou seja, ao evitar emoções vou acabar a sentir ainda mais emoções “negativas”, gerando um ciclo vicioso difícil de quebrar:

o “estou a sentir coisas que NÃO POSSO sentir” > mutilo-​me > deixo de sentir momentaneamente > sinto-​me mal por tê-​lo feito, culpado, frustrado > dá-​me ainda mais vontade de o voltar fazer;

ü As automutilações podem correr mal e o corte ser mais profundo do que se pretendia, a queimadura mais grave, ou a pancada na cabeça ser no sítio errado e a pessoa pode ficar com danos irreversíveis no seu corpo ou pode até provocar a morte;

ü E, por último, a pessoa não merece este castigo. NINGUÉM MERECE. Independentemente do que possa pensar sobre si mesmo, ou sentir, ninguém merece magoar-​se desta forma.

Catarina cunha – Psicóloga Clínica

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