ID– Blog

Blog do Instituto do Desenvolvimento

  • Início
    Início Aqui é onde pode encontrar todos os artigos em todo o site.
  • Categorias
    Categorias Mostra uma lista de categorias deste blogue.
  • Etiquetas
    Etiquetas Mostra uma lista de etiquetas que tem sido utilizados no blogue.
  • Membros
    Membros Procure o seu Autor favorito deste site.
  • Equipas do Blog
    Equipas do Blog Encontre a sua equipa favorita aqui.
  • Entrar
    Entrar Formulário de Entrada

A MINHA CRIANÇA EVITA TOCAR EM MUITAS COISASDEFESA TÁTIL

Publicado por em em Terapia Ocupacional
  • Tamanho da fonte: Maior Menor
  • Acessos: 951
  • 0 Comentários
  • Imprimir


b2ap3_thumbnail_childs-hands-kneading-modelling-clay-694034487-5a95c4966edd6500363a0b11.jpg

b2ap3_thumbnail_video_link_20181026-220834_1.jpg

O sistema tátil é o nosso sentido de toque e é constituído por diferentes recetores sensoriais na nossa pele. É através do sistema tátil que primeiro recebemos informações sobre o mundo quando saímos do ambiente do útero. A capacidade do bebé processar a informação tátil que o rodeia permite-​lhe sentir-​se seguro e criar laços com aqueles que nos amam. Contribui para o nosso desenvolvimento social e emocional.

Um papel importante do nosso sistema tátil é a sua função de proteção que nos alerta quando algo é desagradável ou perigoso. Para algumas crianças, essa função do sistema tátil não está funciona normalmente. Eles podem sentir a maioria das sensações de toque como desconfortáveis​ou assustadoras e reagir com uma resposta desajustada, evitamento ou fuga muitas vezes com reações de produção de saliva e expressão facial de desagrado/​nojo. Chamamos essa condição de DEFESA TÁTIL, que foi identificada pela primeira vez pelo Dr. A.J. Ayres, um terapeuta americano de ocupação por volta dos anos 60.

O que é DEFESA TÁTIL ?

A defensiva tátil (DT) refere-​se a um padrão observável de respostas comportamentais e emocionais, que são aversivas, negativas e desproporcionais, a certos tipos de estímulos táteis que a maioria das pessoas acharia não dolorosas (Royeen & Lane, 1991). É um tipo de Disfunção de Integração Sensorial, que é a incapacidade do cérebro para processar e usar informações através dos sentidos.

As crianças (cujos sistemas táteis fornecem informações imprecisas) estão, frequentemente, no estado de «alerta vermelho» nos ambientes familiares, piorando em situações novas e ambientes novos.

Esta dificuldade no funcionamento neuronal de uma criança não afeta necessariamente a sua capacidade de aprendizagem. No entanto, o desconforto e as reações comportamentais causadas por esta dificuldade interferem no processo de aprendizagem. Muitas vezes a criança é emocionalmente insegura (Ayres, 1979).

SINAIS DE ALERTA NO COMPORTAMENTO DA CRIANÇA

• Evitar certos estilos ou texturas de roupas (por exemplo, ásperas ou justas); ou, inversamente, uma preferência incomum por certos estilos ou texturas de roupas (por exemplo, materiais macios, camisas de manga comprida).

• Evitar o contato com outras crianças.

• Evitar toque antecipado ou interações envolvendo toque, por exemplo tendência a afastar ou evitar o toque no rosto (p. ex. evita beijos).

• Evitar atividades lúdicas envolvendo materiais táteis (por exemplo, areia, pinturas com os dedos) ou contato com o corpo, com tendência a preferir brincadeiras solitárias.

• Evitar andar descalço, especialmente na areia e relva (por vezes anda em bicos de pés).

• Evitar ambientes com muita gente, gosta de ficar debaixo da mesa, atrás do sofá ou debaixo das escadas.

• Aversão ou luta quando agarrado ou abraçado.

• Aversão a certas tarefas da vida diária, por ex. usar chuveiro, cortar unhas e cabelo, lavar o cabelo e a cara.

• Aversão aos cuidados dentários e /​ou escovar os dentes

• Aversão ao manuseamento durante as atividades diárias, por ex. trocar fralda ou roupa, limpar nariz e cara.

• Aversão ao manuseamento de plasticina, barro, slime, brinquedos viscosos e muito macios.

• Aversão em estar sujo e tocar em comida com as mãos.

• Esfrega a pele depois de ser tocada suavemente ou a área do risco a ser tocada.

• Torna-​se ansioso e angustiado quando está fisicamente próximo das pessoas.

• Recusa em participar em atividades sociais, por exemplo, ir a uma festa ou supermercado.

• Responde verbalmente ou com agressão física ao toque leve nos braços, face ou pernas, por exemplo, atacando.

• Objeção, retirada ou respostas negativas ao contato físico, incluindo aquelas encontradas no contexto de relacionamento íntimo, mesmo de maneira amigável ou afetuosa. Tem tendência para preferir tocar em vez de ser tocada. Algumas crianças podem procurar um toque firme para modular o nível de defesa.

ESTRATÉGIAS PARA AJUDAR UMA CRIANÇA COM DEFESA TÁTIL

Todos podemos ajudar estas crianças para gradualmente provocar reações mais normais a várias sensações táteis. O objetivo da aplicação de estratégias é normalizar a maneira como o sistema nervoso registra e interpreta as informações de toque.

• Use pressão firme ao tocar a criança. Nunca use toque leve. Pancadinhas na cabeça, nas costas ou no ombro não são reforçadoras para uma criança com defesa defensa tátil.

• A firmeza reta e para baixo empurrada na parte superior da cabeça ou nos dois ombros acalma essas crianças. Um abraço de urso pesado também é excelente. Certifique-​se de que a criança esteja esperando seu toque (nunca surpreenda a criança).

• Evite tocar ou aproximar a criança por trás. Certifique-​se de que a criança vê antes de dar instruções ou pedir respostas.

• Ao usar instruções físicas, use um toque o mais firme possível sem ferir.

• Faça a criança ir primeiro na fila; isso minimizará o possível contato tátil com os outros e não provoca afastamento do grupo; minimizar o tempo esperado para aguardar e esperar na fila.

• Na roda do jardim as crianças devem ser sentadas de modo que elas não estejam demasiado perto o suficiente para tocar uma a outra.

• Use marcadores para ajudar a designar o espaço pessoal quando estiver sentado no chão; ou permitir que a criança escolha a posição durante o tempo da história.

• Incentive a criança a escovar o próprio corpo com uma esponja natural durante a hora do banho

• Crie um canto tranquilo para a criança ir quando ela ficar muito «sensível» e perturbada.

• Preste atenção a quais tecidos, tipos de roupas, substâncias lúdicas ou situações sociais (por exemplo, caminhar num centro comercial lotado) parecem provocar reações negativas para a criança. Até que o problema seja aliviado, tente evitar situações irritantes (por exemplo, deixe seu filho usar todas as roupas de algodão, se é isso que a criança prefere).

• Atividades de “trabalho pesado”: ajudar a criança com tarefas domésticas pesadas e fazer brincadeiras de saltar, empurrar e puxar, pode ajudar a acalmá-​lo e organizá-​lo.

• Tente incorporar gradualmente uma variedade de experiências táteis em brincadeiras, refeições, hora do banho, etc. Geralmente, será mais fácil para a criança iniciar a brincadeira em vez de ter novas ou potencialmente ameaçadoras sensações impostas a ele. Demonstre em si mesmo e torne isso divertido.

• Não force a participação.

Há atividades táticas mais específicas que o terapeuta ocupacional do seu filho pode sugerir, o que pode ser apropriado. Peça ideias ao terapeuta e informe das reações do seu filho a várias experiências. Esteja com atenção a sinais e evite excesso de estimulação e excitabilidade.

O QUE DEVE FAZER A SEGUIR?

Se você acha que seu filho pode ter DT, deve procurar informações profissionais para confirmar o diagnóstico e aconselhá-​lo sobre estratégias de tratamento. Tente fazer com que seu filho seja encaminhado para um terapeuta ocupacional com especialização em integração sensorial.

A avaliação especializada e intervenção de um terapeuta ocupacional são cruciais. Este é um técnico superior da área da saúde de diagnóstico e terapêutica, especializado no desenvolvimento sensório-​motor com o objetivo de promover o desempenho ocupacional e desenvolvimento infantil de forma adequada (Coppede, 2012). No instituto do Desenvolvimento temos terapeutas ocupacionais com formação e experiência específica nesta área, para que a intervenção seja o mais eficiente possível. A família será ativamente envolvida, numa troca constante de informação.

Atividade de exploração de textura nova (areia cinética) realizada no Instituto de Desenvolvimento com criança F. de 3 anos e 1 mês, e orientação da terapeuta ocupacional Sofia Charrua (certificação de especialista em Integração Sensorial emitida pela Universidade da Califórnia do Sul n.4526). A textura usada não foi uma escolha espontânea de F. para brincar na sessão mas negociada com a terapeuta. Numa primeira fase da atividade escolheu usar ferramentas para interagir com a textura para evitar o toque direto, mesmo assim teve respostas motoras de afastamento e salivação com a informação visual da textura. Depois aceitou tocar na areia com os moldes para ter sucesso na modelagem de animais. Depois F. aceitou modelar a areia com as mão sem recurso a ferramentas, sem respostas motoras de aversão. No final limpou o espaço e os materiais e colocou a areia no saco. Agora, F. adora plasticina (rejeitada anteriormente) e faz moldagens muito criativas, fazendo de conta que é um grande chef de culinária.

BIBLIOGRAFIA

Ayres, A.J. (1964). Tactile Functions: Their Relations to Hyperactive and Perceptual-​Motor Behaviour. American Journal of Occupation Therapy 18, pp 221225

Ayres, A.J. (1972). Sensory Integration and Learning Disorders. Los Angeles, Western Psychological Services

Ayres, A.J. (1979). Sensory Integration and the Child. Los Angeles, Western Psychological Services

Ayres, A.J. & Tickle, L. (1980) Hyper-​responsivity to Touch and Vestibular Stimulation as a Predictor or Responsivity to sensory Integrative Procedure by Autistic Children . American Journal of Occupation Therapy 34, pp 375381

Baranek, G.T. & Berkson, G. (1994). Tactile Defensiveness in Children with Developmental Disabilities: responsiveness and habituation. Journal of Autism and Developmental Disorders 24 (4), pp 457471

Fisher, A.F & Dunn, W.D. (1983). Tactile Defensiveness: Historical Perspectives, new Research – A Theory Grows. Sensory Integration Special Interest Section Newsletter 6, 12.

Grandin, T (1984). My Experience as an Autistic Child and review of Selected Literature. Journal of Orthomolecular Psychiatry 13, pp 144174

Kinnealey, M (1976). Aversive and non-​aversive Responses to Sensory Stimulation in Mentally Retarded Children. In: A.Price, E. Gilfoyle & C, Myers (Eds.) Research in Sensory Integrative Development (pp 3340). Rockville, MD: American Occupational Therapy Association

Larson, K.A. (1982). The Sensory History of developmentally Delayed Children With and Without Tactile Defensiveness. American Journal of Occupational therapy 36, pp 590596

Mailloux, Z (1992). Tactile Defensiveness: Some People are More Sensitive. Sensory Integration Quarterly, Vol XX, No.3, pp 1011

Ritvo, E.R. Ornitz, E.M. & LaFrachi, S (1968) Frequency of Repetitive Behaviour in Early Infantile Autism and its Variants. Archives of General Psychiatry 19, pp 341347

Royeen, C.B (1985). Domain Specifications of the Construct Tactile Defensiveness. In: Fisher, E. Murray & Bundy, A (Eds). Sensory Integration: Theory and Practice. Philadelphia: F A Davis

Trott, M.C. (1993). Sense Abilities – Understanding Sensory Integration. Tucson, Arizona: Therapy Skill Builders

Última modificação em
0
URL Trackback para este artigo

Comentários

  • Sem comentários ainda. Seja o primeiro a comentar

Deixe o seu comentário

Convidado sábado, 21 setembro 2019

Rua da Estrebuela, nº 106, 4580–091 PAREDES
geral@​institutododesenvolvimento.​pt
TELFS: 255 401 557 | 967 688 612 | 929 065 841

Declaração de Privacidade

© 2016 — Instituto do DesenvolvimentoJoomla Templates.